quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Missionário americano que hospedou Julio Severo em sua residência quebra o silêncio e conta como foi a sua convivência com o blogueiro homofóbico





Da Redação
Com Thiago Lima Barros


O personagem

Conhecido por sua militância agressiva e pertinaz, que versa sobre temas como educação em casa e guerra sem quartel a militantes de esquerda, aborto e homossexualismo, o blogueiro Julio Severo sempre fez questão de criar em torno de si, não se sabe por qual razão, uma aura de mistério: pouco se conhece sobre a sua história pessoal (ao contrário do que ocorre com muitos de seus apoiadores e ex-apoiadores, que têm uma vida pública ativa e fazem questão de aparecer em público para defender seus pontos de vista), e as poucas tentativas de revelar fatos de sua vida ao público evangélico, ao qual ele direciona sua pregação política, esbarraram em fontes jornalísticas pouco confiáveis.

Acredita-se que o quadro acima descrito se deva, pelo menos em parte, ao medo que uma parte da liderança evangélica tupiniquim devota ao “profeta da internet”, receosos do desgaste que um debate público com o renitente ativista possa causar em suas imagens públicas. Prova disso foram as diatribes lançadas por Severo contra diversos antigos apoiantes seus, como os clérigos-blogueiros Augustus Nicodemus Lopes, Solano Portela e Ciro Zibordi, bem como o ministro evangélico paraibano Euder Faber Guedes Ferreira, presidente da Visão Nacional para a Consciência Cristã (VINACC), que incluiu o ativista entre os palestrantes do Encontro para a Consciência Cristã, organizado por sua entidade. Todos eles, ante as verrinas que lhes foram direcionadas por Severo, preferiram o silêncio. Antes o apoiaram publicamente, quando mordidos pelo cão a quem deram guarida sofreram quietos.

No entanto, três personagens resolveram enfrentar a fera e falar sobre o assunto. Nesta matéria trazemos a público as informações colhidas com a primeira destas fontes: um missionário norte-americano que resolveu nos falar sobre o nosso personagem obscuro. E com propriedade: ele simplesmente hospedou Julio Severo em sua casa por três meses, a partir de setembro de 2006. Estamos falando de Bill Hamilton, pastor ligado à Presbyterian Evangelistic Fellowship, que, apesar de compartilhar vários pontos de vista com o blogueiro, é frontalmente contrário a alguns dos métodos pouco cristãos que Severo adota para defendê-los.

Californiano de Del Mar, 57 anos de idade e 22 de missões no Brasil, casado com a também missionária surinamesa Aïda, Hamilton coordena o Movimento 8-32, que se dedica à evangelização de universitários, principalmente nos campi da Universidade Federal Fluminense (UFF) em Niterói, onde reside com a esposa e duas filhas. Ele concedeu a entrevista abaixo por telefone, de sua residência, no último dia 15 de junho:

Como se deu a sua aproximação com Julio Severo?

Na realidade, a vinda de Julio Severo e sua família ao Rio se deu por minha culpa! Começamos a “conhecê-lo” através do seu blog durante o primeiro semestre de 2006. Entramos em contato com Severo através do seu e-mail no blog e, quando perguntamos sobre suas necessidades, ele alegou que estava sendo perseguido em sua cidade, no sul de Minas Gerais, por se recusar a vacinar os seus filhos, que à época eram muito pequenos (uma menina de 3 anos de idade e um bebê de 1 mês), com a desculpa de que a vacina, por ser distribuída pelo governo, era perigosa para as crianças. Porém, numa conversa posterior com o ex-cunhado dele (no caso, ex-marido de sua irmã), que morava do lado de sua casa e segurava a barra dele e da sua família no campo financeiro, descobrimos que ele exagerava a situação, por não haver perseguição acontecendo, de verdade. Porém, como essa conversa aconteceu depois da mudança de Severo e família para nossa casa, nós acreditamos, pelo menos inicialmente, na versão de que a perseguição era real e de que ele corria o risco de ver seus filhos tirados do lar por não vaciná-los.

Por quais os motivos o senhor acredita que ele lhe contatou?

Para ser sincero, o primeiro contato veio da gente, como eu falei antes. Mas como eu sou norte-americano, acredito que tenha sido por isso que ele aceitou o nosso convite. Ele planejava se refugiar nos EUA a qualquer custo, devido à afinidade dos EUA (naquela época, pelo menos) com a filosofia do home schooling (a educação dos filhos no lar pelos pais e/ou professores capacitados), que ele e a esposa defendiam. À época, me parece que o amigo virtual dele, Olavo de Carvalho, estava vendo se conseguia para ele matrícula em alguma high school, pois Severo não concluiu o ensino médio, como desculpa para entrar no país. Porém, o passo seguinte seria ele pedir asilo ao governo do meu país, por meio dos militantes do home schooling de lá. Quando ele estava defendendo o uso dessa mentira para conseguir asilo nos EUA, eu o admoestei, dizendo que a mentira não era a atitude de um verdadeiro cristão, e que Deus não ia honrar a postura dele dessa forma. Ele tentou se justificar respaldando sua prática em alguns personagens do Antigo Testamento, ao que eu imediatamente tentei esclarecer, lembrando que a Bíblia não “prescrevia” o uso da mentira nesses casos, mas simplesmente o “descrevia”. Severo, porém, não admitiu que a mentira, nesse caso, seria pecado. A partir daí, e com base em outras conversas que tive com ele, eu e a minha esposa começamos a questionar a sua conversão.

Quais foram os outros diálogos que lhe levaram a essa percepção?

Lembro-me de pelo menos dois. Quando ele estava defendendo o uso da mentira para poder entrar nos EUA, perguntei como se deu a conversão dele, e a resposta que ele me deu foi a de uma experiência bem mística, de “receber o Espírito Santo” como uma sensação de estar debaixo de uma cachoeira, mas nada a ver com o padrão bíblico de conversão. À medida que a conversa foi avançando, pude notar que, de modo geral, ele concorda intelectualmente, racionalmente, com as doutrinas protestantes, mas não percebi nele uma conversão calcada em arrependimento e fé, resultado da obra do Espírito Santo na regeneração. Lembro-me também que, algum tempo depois, foi noticiada a morte do general Augusto Pinochet, ex-ditador do Chile. Ele falou: “Que pena, não é? Morreu um homem que ajudou a combater o comunismo”. Retruquei, dizendo: “Mas ele matou muita gente no Chile que, concordando ou não com a sua cosmovisão política, tinha o direito de se defender no contexto do sistema judicial chileno”. A réplica foi: “Comunista merece morrer mesmo”! Encerrei a conversa dizendo: “Julio, esses comunistas eram seres humanos, cidadãos chilenos, que mereciam o mesmo tratamento que você e eu gostaríamos de receber se fossemos presos como cristãos e/ou como cidadãos alinhados com ideais políticos da direita, não é"?

Como foi a sua convivência cotidiana com Severo?

A gente os acolheu em casa por três meses, mas a situação se tornou insuportável. Os filhos dele ainda eram muito pequenos e demandavam um cuidado especial, e, além disso, eu e Aïda tínhamos que dar atenção às nossas filhas. Enquanto isso, eles foram ficando, sem perspectiva alguma de sair. Além do mais, a maneira preconceituosa, desamorosa e pouco cristã com que ele tratava de muitos assuntos nos incomodava e constrangia o tempo todo. Alegando perseguição, ele e a esposa tapavam todas as janelas com lençóis. Eles não queriam que, ou algum vizinho nosso descobrisse que eles eram seus “vizinhos”, ou então queriam esconder o que ele, Severo, ia fazendo na internet. Realmente não sei, mas juntando estas coisas com as nossas limitações financeiras, a falta de um prazo para sair da nossa casa e a nossa necessidade de deixar a casa por seis semanas para participar de um projeto missionário, decidimos pedir que eles arrumassem outra moradia com bastante antecedência.

Durante esse período, Severo sofreu alguma perseguição?

Aqui no Rio, nenhuma. Atribuímos isso ao fato deles estarem em outro estado sem ninguém da sua cidade saber exatamente onde estavam.

Como se deu a saída dele da moradia do senhor?

A psicóloga evangélica Rozângela Justino, que foi censurada pelos Conselhos Regional e Federal de Psicologia por ajudar homossexuais a sair do estilo de vida homossexual, conhecia o Julio pelo fato de os dois terem participado de algum congresso anterior. Sabendo disso, e sabendo que ela concordava com muitas colocações de Severo, pedimos a ajuda dela para achar outro lugar para essa família, pois a situação estava ficando insuportável, já que eles não procuravam outro local para se estabelecer e nós não queríamos deixá-los em nossa casa durante nossa viagem missionária. Rozângela se encontrou uma vez com eles na minha casa. Depois, eu sei que ela se encontrou com eles mais uma vez, levando consigo uma médica amiga, que tentou esclarecer que as vacinas não ofereciam perigo para a saúde das crianças.

Ela conseguiu um novo lar para eles?

Sim, ela conseguiu para eles uma casa num sítio no bairro de Marambaia, em Itaboraí. O sitio era de propriedade do falecido pastor Geremias Fontes, ex-governador do Estado do Rio, mas à época ainda vivo e liderando a Igreja Batista do Calvário, aqui no bairro do Fonseca, em Niterói. Nesse sítio, inclusive, funciona um espaço para a recuperação de dependentes químicos, a Comunidade S8. Na véspera da saída de nossa casa, Severo estava todo sorridente, pois, segundo dizia, Olavo de Carvalho estava conseguindo tudo o que ele queria. Diante disso, fiz questão de entrar em contato com o Consulado dos EUA aqui no Rio, alertando-os para que ficassem atentos na hora de conceder vistos a ele e à família. Não sei que medidas os funcionários de lá tomaram.

E o senhor manteve contato com Severo depois disso?

Perdemos contato com eles depois. Soube apenas que Severo caiu nas graças do Pastor Geremias e da família dele, e ficou hospedado no tal sítio em São Gonçalo por algum tempo, mas eles, alegadamente, conseguiram fugir do Brasil para outro país. Contudo, conhecendo a cabeça do Julio depois de tudo isso, acredito que ele, muito provavelmente, mentiu sobre essa saída para enganar e despistar os ativistas gays, que queriam (e ainda querem) confrontá-lo por suas declarações, e que talvez ele continue escondido aqui no Brasil, mesmo.

Que conclusões o senhor tira desse episódio?

O mais irônico é que eu concordo, basicamente, com as posições do Julio, principalmente quanto à tentativa de imposição de uma “agenda” homossexual ao restante da sociedade, e acho que é nosso dever, enquanto cristãos, barrar essa pretensão. No entanto, Deus quer alcançar os homossexuais, quer que eles sejam libertos do pecado e resgatados para a salvação. Diria a mesma coisa em relação aos comunistas. Devido aos preconceitos do Severo, eu cheguei à conclusão de que as postagens de autoria própria são suspeitas por omitir alguns fatos para “vender seu peixe”. Aqueles que ele traduz de algumas fontes conservadoras e/ou evangélicas norte-americanas, porém, seriam dignas de confiança, pois eu nunca tive razão para duvidar dessas fontes, estando familiarizado com elas há muito tempo. Severo, porém, não tem mais credibilidade como “jornalista”, a meu ver. Além de não ter formação nessa área, seus preconceitos geram bastante dúvida da minha parte a respeito da sua “objetividade”. E, devido à vontade dele de utilizar a mentira para, em alguns casos, conseguir o que ele acha necessário (exemplo: fuga para os EUA), eu questiono sua conversão. Normalmente o cristão de verdade, quando escolhe pecar, recua e se arrepende quando confrontado com seu pecado. No entanto, eu percebi uma resistência contra a minha repreensão, sem falar de uma determinação de continuar com o “Plano A”: mentir! Foi uma experiência desagradável ter Julio Severo em casa, mas eu não jogo a culpa na família inteira. Para mim, a esposa e os dois filhos eram mais “vítimas” nesta história toda do que cúmplices. Meu conselho para os leitores do blog de Julio Severo é não engolir tudo que ele escreve. Fora de uma intervenção divina, é possível que ele vá ser um daqueles falsos crentes que ouvirão da boca de Jesus: “nunca vos conheci”.


Genizah Comenta


Finalmente, o espesso véu de silêncio que pairava sobre o pretenso “professor de Deus” vai se dissipando. Genizah tem sido alvo das fatwas do aiatolá Severo desde cometeu a suprema ousadia de censurá-lo por suas, repetimos, ridículas declarações sobre o terremoto no Haiti em 2010, nas quais, a pretexto de censurar o povo sofrido daquele país pelas práticas perniciosas do vodu, despejou todo o seu arsenal de ódio pagão, indo do racismo à teologia da maldição hereditária. Não surpreende, pois a mesma mente adoecida já havia mostrado seu lado antissemita ao criticar os desvios de Marx e de Freud pelo simples fato de eles serem judeus. Desde então, basta que nós soltemos um flato por aqui para que ele exercite sua verve demoníaca, dando o toque de rebate às hostes dos esgotos gospel para o ataque. Como se isso nos incomodasse! Principalmente após a sessão de pancadaria promovida no artigo "Robinson Cavalcanti, o pecado veio cobrar a sua conta", onde Severo irrompeu em desaforos contra vários (então) apoiadores seus, que haviam saído em desagravo ao pastor Renato Vargens, por ele achincalhado. Desde então, rareiam, e muito, os blogueiros conservadores dotados de estômago de avestruz para associar seus nomes aos do autointitulado “Profeta da Internet”.

A coerência bíblica do entrevistado avulta ainda mais quando se percebe que o mesmo comunga da linha de pensamento de Severo, com uma exceção, que faz toda a diferença: abomina o pragmatismo diabólico de seu ex-hóspede, lembrando que a vivência cristã deve ser integral, e que os fins não justificam meios pecaminosos. Afinal de contas, Satanás não deixou de ser o pai da mentira!

Esquizofrênico paranoide a serviço da direita e do obscurantismo religioso


O severo perfil que emerge da entrevista é o de uma personalidade patológica, verdadeiro quadro de esquizofrenia paranoide, que chega ao cúmulo de negligenciar a saúde dos próprios filhos em nome de uma ideologia obtusa, incidindo em algumas figuras tipificadas pelo Código Penal. Dizemos ideologia, e não teologia, porque fica demonstrado, também, que nenhuma das motivações que o impulsiona nessa luta contra tudo e todos, até mesmo contra aqueles que, algum dia, estenderam-lhe a mão, tem a ver com as Escrituras Sagradas, mas sim com a defesa do ideário de uma facção política minoritária, violenta, autoritária, elitista e antidemocrática, que defende todo tipo de perversão social e se esconde debaixo da capa da defesa da vida e da família. E caminham assim, enganando e sendo enganados, a pensar que ninguém vai perceber a antinomia entre sua teoria e prática. Sim, pois como é possível compreender que tais pessoas se lancem à defesa de causas nobres, ao mesmo tempo em que colaboram contra essas mesmas causas, fechando os olhos para a miséria e a desigualdade, que desestruturam famílias inteiras, atentando contra a dignidade humana, e que ainda grassam em nosso país e no mundo?

“Mas defender igualdade e distribuição de renda é comunismo”, dirão eles, repetindo o velho chavão mofado da Guerra Fria. Por esse critério, um homem piedoso como William Booth, fundador do Exército da Salvação, seria um baderneiro marxista, pronto a comandar uma revolução sangrenta e instaurar uma ditadura do proletariado. Fala sério! A única plataforma política “subversiva” de Booth era fazer da sopa e do sabão, que distribuía, nas periferias de Londres, aos excluídos da festança da Revolução Industrial, a ponta de lança para alcançar aqueles corações para Cristo. O exemplo de Booth é apenas um entre tantos de líderes cristãos que não se restringiram aos púlpitos, mas que puseram a mão na massa para salgar e iluminar o mundo jacente no Maligno. Isso é seguir Marx ou Jesus?

Ameaça ao Estado Democrático de Direito

Na verdade, os argumentos matreiros usados por Severo e sua trupe mambembe coincidem com aqueles utilizados atualmente por lideranças evangélicas com assento no Congresso Nacional, consistente na tomada de assalto do aparato estatal para a imposição dos valores do Reino (do Reino?) à população não-evangélica como um todo. Exatamente o que eles acusam os “comunistas” de querer fazer. Esse garrancho da herética Teologia do Domínio, que também pode ser comparado à postura muçulmana de estímulo à conversão forçada, de preferência inspirada pelas ameaças de morte em caso de não-conversão, representa um risco concreto ao Estado Democrático de Direito, na medida em que tende a uma dominação policialesca e violenta da coletividade por meio da religião. E é também um perigo real para a Igreja, por dois motivos: a) a sociedade rejeita essa forma de condução dos assuntos sagrados, como mostram os recentes protestos Brasil afora, e pode desencadear uma perseguição sem precedentes contra todas as denominações; b) agregando-se às estruturas de poder, a Igreja perderá sua isenção profética em face do Estado, e não terá mais envergadura moral para censurar o Poder Público por seus desvios, tendendo a se confundir com ele. Não foi isso o que aconteceu com a Igreja Católica? Para escaparmos de fim parecido, urge jogarmos na lata do lixo esse pensamento dominionista e exercermos o papel que nos incumbe, à luz da Palavra, a saber, o de consciência crítica da Nação, apontando erros e propondo soluções, ao invés de impô-las.

A verdadeira ideologia política do Genizah – a Democracia

Diante de tudo isso, é importante frisar que, ao contrário do que propalam nossos ofensores, Genizah não tem ideologia predefinida. Prova disso é a convivência de pessoas de vários matizes ideológicos e teológicos em nossas fileiras. Na verdade, nos propomos a ser um espaço democrático e plural, verdadeira caixa de ressonância das mais díspares e diversas opiniões que existem no meio cristão, à esquerda, à direita e ao centro, exaltando as melhores práticas da Igreja Primitiva, que incluíam decisões tomadas através do voto livre e desembaraçado de seus membros e líderes, e que normalmente eram adotadas por consenso, em virtude da presença soberana do Espírito Santo naqueles corações.

A propósito, Deus se encarregou de mostrar, através da História da qual Ele é Senhor, que o melhor regime político para a pregação do seu Evangelho é o Estado Democrático de Direito e laico, o qual, apesar dos seus defeitos, guarda um punhado de virtudes que devemos levar em consideração: 1ª) ao não adotar uma religião oficial, evita que sejamos vistos como perseguidores, ao mesmo tempo em que facilita nossa proteção contra perseguições; 2ª) permite uma participação política plena, oferecendo prevenção contra o “voto de cajado” imposto pelas lideranças clientelistas; 3ª) possibilita uma ação política verdadeiramente cristã, calcada no testemunho e no exemplo, que, ao invés de por a sociedade debaixo do chicote do exator, mostra a essa mesma sociedade o Caminho a ser seguido, através de propostas que refletem a essência do pensamento de Jesus e da Nova Aliança que Ele instituiu. Afinal, a Antiga Aliança foi abolida, e a teocracia também o foi, junto com ela.

Estas são as nossas posições. A nossa causa política está acima de qualquer ideologia em particular: é a causa da democracia e da liberdade em Cristo Jesus, contra a implantação de um Irã evangélico e a favor de uma consciência cidadã para o povo de Deus, contra o pecado individual ou institucionalizado, mas a favor da demonstração diária da Sã Doutrina através de um testemunho inteiramente fiel. E o serviço ao próximo!

A falsa fuga de Julio Severo do Brasil

Após o fechamento desta entrevista, recebemos a informação de que um pastor ligado ao movimento apostólico travou contato com Julio Severo durante um evento, novamente na cidade de Niterói, no ano de 2010. Ou seja, um ano depois de sua pretensa “fuga do Brasil”. O mesmo ministro relatou à Redação que teve uma áspera discussão com Severo, e que este, à época, estava abrigado na casa de outro ativista “pró-família” daquele município fluminense. 

Inicialmente, Severo tentou se refugiar nos Estados Unidos alegando sofrer perseguição por não vacinar suas crianças, depois por ser perseguido pelo estado por defender home schooling e, contrariando a lei brasileira, não matricular os seus filhos na escola. Mais recentemente, informou que teve de se exilar diante das ameaças sofridas por ativistas gays.  Quando termina a doença mental e começa o golpe?

Durante os últimos sete anos, este senhor mentiu para a igreja, a fim de amealhar doações para a sua causa obscura, refastelando-se com os recursos  de pessoas bem-intencionadas. Sempre a pretexto de suposta defesa de uma causa urgente originada em uma mente esquizofrênica paranoica insuflando uma falsa perseguição e um exílio “falso”.

A investigação seguirá

Genizah é bombardeado semanalmente por Julio Severo desde 2010. Jamais respondemos, refutamos ou até mesmo acusamos qualquer destes ataques aqui neste site. Não era nosso desejo emprestar visibilidade a este senhor. A nossa paciência se esgotou.

Isto significa que, cumprindo com nosso dever de informar, e levando em consideração a máxima de Louis Brandeis (1856-1941), Juiz da Suprema Corte Americana, para quem “o sol é o melhor desinfetante que existe”, teremos mais matérias sobre Severo e seus métodos, a fim de que nossos leitores possam formar um juízo mais abalizado sobre a vida desse pretenso “profeta virtual”.

A meta é arrancar a máscara de Severo. Revelar o seu nome verdadeiro e o covil onde este lobo se refugia.  E, principalmente, denunciar as organizações de ultra-direita que financiam a sua guerra de ódio em nome da religião.

Severo esteve escondido de suas alucinações nas cercanias de Niterói por mais de seis anos, enquanto dizia a seus doadores e leitores estar exilado no exterior. Estaria agora Severo, de fato, fora do país, depois de anos mentindo sobre a sua falsa fuga? Como e com quem vive, de fato, o INRI cristo da internet? 

E agora, já mais crescidos, continuariam os filhos de Severo condenados pelo obscurantismo dos pais a viver uma vida escondida, sem direito a ir a escola ou ter acesso a informação? Impedidos de conviver com outras crianças, brincar, fazer amizades ou ter brinquedos? E, pior, impedidos de contar com as possibilidades da medicina moderna? 

Aguardem.








 

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Resposta a Julio Severo


POR Thiago Lima Barros


Severo (se bem que o seu nome não é esse),

Em face das afirmações alucinatórias que você teceu a respeito da entrevista que me foi concedida por seu ex-anfitrião, não posso deixar de tecer algumas poucas, mas significativas considerações. Comparadas ao seu cartapácio, estas linhas serão telegráficas. Primeiro, porque não disponho do tempo ocioso com o qual você é galardoado pelos trocados que os incautos lhe pagam. Segundo, pela absoluta desnecessidade do excesso de palavras. E terceiro, pela debilidade dos argumentos por você lançados.

Pra começo de conversa, antes de me chamar de mentiroso, como você pode explicar a caudal de inverdades despejada por seu comparsa Edson Camargo no artigo “Genizah: esculacho pró-socialismo travestido de apologética”, publicado no Mídia sem Máscara e reproduzido no seu blog? Sem sequer conhecer minhas ideias direito, e no afã de me desqualificar, da forma mais mambembe possível, como um “perigoso comunista”, Camargo insinua, no antepenúltimo parágrafo, que eu sou a favor de uma série de posições extravagantes. Reproduzo o trecho:

Vai um "casamento gay" aí? Vai um aborto? Que tal um baseado? Vai um Hugo Chávez? Vai uma FARC? Vai um MST? Vai um imposto para fins "sociais"?

Firmado em quê o seu cupincha afirma que eu sou favorável a todas essas coisas e pessoas? Ele me entrevistou? Perguntou isso a mim? Leu textos anteriores meus? Claro que não: nem você e nem Edson Camargo me conhecem pessoalmente, mas me julgaram, na ocasião, pelo segundo artigo que eu produzi para o Genizah. O que evidencia apenas duas coisas: uma ignorância crassa e uma má fé cínica. De ambos.

Aqui reside o que nos separa: tanto no primeiro artigo que produzi a seu respeito, quanto na entrevista recém-publicada, eu corri atrás de fontes fidedignas e respeitáveis, que lhe conheceram no seu périplo pelo Grande Rio. Isso com todas as limitações geográficas e econômicas, pois só pude fazer tudo o que fiz a partir de Maceió. E, a rigor, no que tange ao artigo e à entrevista, você não nega praticamente nada. Dá a sua versão fantasiosa, mas não nega quase nenhum fato. As únicas imprecisões que as fontes me passaram (e atire a primeira pedra o jornalista tarimbado que jamais a cometeu, quanto mais eu, um simples “foca”) dizem respeito à matrícula dos seus filhos em escola, dado este que o Pr. Bill, gentilmente, me ajudou a corrigir antes e durante a entrevista, e aos fatos envolvendo sua participação no evento da VINACC, no que o seu ex-amigo Euder Faber também me ajudou, mesmo me detestando gratuitamente e me ameaçando de processo (de processo?) de forma canhestra e atabalhoada (processar pelo quê, pelo amor de Deus?), além de não me dar espaço para prestar meus esclarecimentos no site da VINACC, por motivos que até hoje ignoro.

Ou seja: fui atrás de gente real, de carne e osso, que tem nome, endereço e telefone. Gente, em suma, que está perdendo o medo de confrontar a você e aos seus acólitos à luz das Sagradas Escrituras, que está sendo galardoada com o desassombro que só o Espírito Santo dá. É uma pena que as fontes que eu ouvi para o artigo de 2011 ainda não possam vir a público por questões de ética profissional, mas as limitações que as impedem logo serão superadas e elas poderão se manifestar sem embaraço. Quem viver verá.

Você, por outro lado, nem mata a cobra, nem mostra a cobra morta, como provam suas muitas ilações, entremeadas de teorias conspiratórias e de uma autoglorificação que em nada lembra a simplicidade do Filho do Homem. São documentos que não aparecem, “advogados evangélicos” sem rosto, versões de diálogos que não são corroboradas por nenhuma testemunha, referências a si mesmo em terceira pessoa, vitimização aos borbotões... Seu outro discípulo, Demétrius Farias, me acusou de fazer exatamente isso que você faz, por onde se percebe o quanto ele lhe é fiel, pois fecha escandalosamente os olhos para o seu amplo telhado de vidro.

Compreendo sua situação. Sei que as alucinações que você lançou no texto mencionado se devem ao atordoamento no qual deve ter sido lançado ao se defrontar com uma narrativa que você sabe ser verdadeira. Tanto isso é verdade que o seu blog ficou sem atualizações por quase um dia e meio, e na sequência, a sua réplica saiu primeiro no Gospel Prime, o que se revelou um colossal tiro no pé, face ao flanco que você deixou aberto para que as pessoas lhe redarguissem frontalmente e de forma incisiva, o que você jamais permitiria em seu blog. Afinal, lá só são publicados os comentários chapa-branca, à exceção dos pouquíssimos comentários adversos que você malandramente publica só quando lhe interessam.

Uma coisa que você demonstra de forma cabal é o seu profundo incômodo com a situação. Afinal, por quase uma década, você e a tropa de lunáticos da qual é soldado raso inspiraram medo nos crentes que ousavam divergir de vocês, numa vírgula que fosse. Era o bastante para começarem os ataques obsessivos, as ofensas, as ridicularizações, as ameaças de processo sem pé nem cabeça lançadas pelo senhor Alberto Thieme (o qual não as poderá negar, pois estão fartamente documentadas), e que só enganam os muito trouxas. A coisa agora mudou: as pessoas estão perdendo o medo, e percebem, agora, que não têm satisfações a lhe dar. Tiro por mim: nunca tive medo de você. E nem mesmo das ameaças do Sr. Thieme, que, ao se prestar ao papel de seu cão de guarda, incorre na descrição fática do crime de ameaça (Código Penal, art. 147). Temo ao Senhor, o que é muito diferente.

Ainda tenho muito o que escrever acerca de você e de outros integrantes do Tea Party tupiniquim. Principalmente sobre aqueles que, de 2011 em diante, disseram coisas a meu respeito sem base alguma. Isso inclui Olavo de Carvalho, Newton Carpintero, Geremias do Couto, além do “profeta urbano” (profeta?) Edson Camargo. Não o farei por esses dias, porém. Tempo, para mim, é um bem escasso, e essas reflexões ainda vão demorar um pouco para sair. Não tenho pressa.

No mais, não retiro uma única linha de tudo o que foi escrito de 2011 para cá. Mesmo porque, afora a informação errada quanto à matrícula de seus filhos, o único fato que você nega é ter passado pela PIB do Ingá. Mas este dado também já me foi confirmado, e vamos prosseguir não apenas a partir dele, mas em todas as outras informações que forem surgindo. Chega de jogar a sujeira para debaixo do tapete.


É só o começo.

P. S.: Ah, e já estou avisando: esta semana, vou ao setor de distribuição da Procuradoria da República em Alagoas, para saber se, de fato, alguma medida foi tomada no âmbito do Ministério Público Federal contra Vossa Senhoria.


quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Julio Severo, um esquizofrênico paranoide a serviço da ultra-direita e do obscurantismo religioso





Da Redação
Com Thiago Lima Barros


O personagem

Conhecido por sua militância agressiva e pertinaz, que versa sobre temas como educação em casa e guerra sem quartel a militantes de esquerda, aborto e homossexualismo, o blogueiro Julio Severo sempre fez questão de criar em torno de si, não se sabe por qual razão, uma aura de mistério: pouco se conhece sobre a sua história pessoal (ao contrário do que ocorre com muitos de seus apoiadores e ex-apoiadores, que têm uma vida pública ativa e fazem questão de aparecer em público para defender seus pontos de vista), e as poucas tentativas de revelar fatos de sua vida ao público evangélico, ao qual ele direciona sua pregação política, esbarraram em fontes jornalísticas pouco confiáveis.

Acredita-se que o quadro acima descrito se deva, pelo menos em parte, ao medo que uma parte da liderança evangélica tupiniquim devota ao “profeta da internet”, receosos do desgaste que um debate público com o renitente ativista possa causar em suas imagens públicas. Prova disso foram as diatribes lançadas por Severo contra diversos antigos apoiantes seus, como os clérigos-blogueiros Augustus Nicodemus Lopes, Solano Portela e Ciro Zibordi, bem como o ministro evangélico paraibano Euder Faber Guedes Ferreira, presidente da Visão Nacional para a Consciência Cristã (VINACC), que incluiu o ativista entre os palestrantes do Encontro para a Consciência Cristã, organizado por sua entidade. Todos eles, ante as verrinas que lhes foram direcionadas por Severo, preferiram o silêncio. Antes o apoiaram publicamente, quando mordidos pelo cão a quem deram guarida sofreram quietos.

No entanto, três personagens resolveram enfrentar a fera e falar sobre o assunto. Nesta matéria trazemos a público as informações colhidas com a primeira destas fontes: um missionário norte-americano que resolveu nos falar sobre o nosso personagem obscuro. E com propriedade: ele simplesmente hospedou Julio Severo em sua casa por três meses, a partir de setembro de 2006. Estamos falando de Bill Hamilton, pastor ligado à Presbyterian Evangelistic Fellowship, que, apesar de compartilhar vários pontos de vista com o blogueiro, é frontalmente contrário a alguns dos métodos pouco cristãos que Severo adota para defendê-los.

Californiano de Del Mar, 57 anos de idade e 22 de missões no Brasil, casado com a também missionária surinamesa Aïda, Hamilton coordena o Movimento 8-32, que se dedica à evangelização de universitários, principalmente nos campi da Universidade Federal Fluminense (UFF) em Niterói, onde reside com a esposa e duas filhas. Ele concedeu a entrevista abaixo por telefone, de sua residência, no último dia 15 de junho:

Como se deu a sua aproximação com Julio Severo?

Na realidade, a vinda de Julio Severo e sua família ao Rio se deu por minha culpa! Começamos a “conhecê-lo” através do seu blog durante o primeiro semestre de 2006. Entramos em contato com Severo através do seu e-mail no blog e, quando perguntamos sobre suas necessidades, ele alegou que estava sendo perseguido em sua cidade, no sul de Minas Gerais, por se recusar a vacinar os seus filhos, que à época eram muito pequenos (uma menina de 3 anos de idade e um bebê de 1 mês), com a desculpa de que a vacina, por ser distribuída pelo governo, era perigosa para as crianças. Porém, numa conversa posterior com o ex-cunhado dele (no caso, ex-marido de sua irmã), que morava do lado de sua casa e segurava a barra dele e da sua família no campo financeiro, descobrimos que ele exagerava a situação, por não haver perseguição acontecendo, de verdade. Porém, como essa conversa aconteceu depois da mudança de Severo e família para nossa casa, nós acreditamos, pelo menos inicialmente, na versão de que a perseguição era real e de que ele corria o risco de ver seus filhos tirados do lar por não vaciná-los.

Por quais os motivos o senhor acredita que ele lhe contatou?

Para ser sincero, o primeiro contato veio da gente, como eu falei antes. Mas como eu sou norte-americano, acredito que tenha sido por isso que ele aceitou o nosso convite. Ele planejava se refugiar nos EUA a qualquer custo, devido à afinidade dos EUA (naquela época, pelo menos) com a filosofia do home schooling (a educação dos filhos no lar pelos pais e/ou professores capacitados), que ele e a esposa defendiam. À época, me parece que o amigo virtual dele, Olavo de Carvalho, estava vendo se conseguia para ele matrícula em alguma high school, pois Severo não concluiu o ensino médio, como desculpa para entrar no país. Porém, o passo seguinte seria ele pedir asilo ao governo do meu país, por meio dos militantes do home schooling de lá. Quando ele estava defendendo o uso dessa mentira para conseguir asilo nos EUA, eu o admoestei, dizendo que a mentira não era a atitude de um verdadeiro cristão, e que Deus não ia honrar a postura dele dessa forma. Ele tentou se justificar respaldando sua prática em alguns personagens do Antigo Testamento, ao que eu imediatamente tentei esclarecer, lembrando que a Bíblia não “prescrevia” o uso da mentira nesses casos, mas simplesmente o “descrevia”. Severo, porém, não admitiu que a mentira, nesse caso, seria pecado. A partir daí, e com base em outras conversas que tive com ele, eu e a minha esposa começamos a questionar a sua conversão.

Quais foram os outros diálogos que lhe levaram a essa percepção?

Lembro-me de pelo menos dois. Quando ele estava defendendo o uso da mentira para poder entrar nos EUA, perguntei como se deu a conversão dele, e a resposta que ele me deu foi a de uma experiência bem mística, de “receber o Espírito Santo” como uma sensação de estar debaixo de uma cachoeira, mas nada a ver com o padrão bíblico de conversão. À medida que a conversa foi avançando, pude notar que, de modo geral, ele concorda intelectualmente, racionalmente, com as doutrinas protestantes, mas não percebi nele uma conversão calcada em arrependimento e fé, resultado da obra do Espírito Santo na regeneração. Lembro-me também que, algum tempo depois, foi noticiada a morte do general Augusto Pinochet, ex-ditador do Chile. Ele falou: “Que pena, não é? Morreu um homem que ajudou a combater o comunismo”. Retruquei, dizendo: “Mas ele matou muita gente no Chile que, concordando ou não com a sua cosmovisão política, tinha o direito de se defender no contexto do sistema judicial chileno”. A réplica foi: “Comunista merece morrer mesmo”! Encerrei a conversa dizendo: “Julio, esses comunistas eram seres humanos, cidadãos chilenos, que mereciam o mesmo tratamento que você e eu gostaríamos de receber se fossemos presos como cristãos e/ou como cidadãos alinhados com ideais políticos da direita, não é"?

Como foi a sua convivência cotidiana com Severo?

A gente os acolheu em casa por três meses, mas a situação se tornou insuportável. Os filhos dele ainda eram muito pequenos e demandavam um cuidado especial, e, além disso, eu e Aïda tínhamos que dar atenção às nossas filhas. Enquanto isso, eles foram ficando, sem perspectiva alguma de sair. Além do mais, a maneira preconceituosa, desamorosa e pouco cristã com que ele tratava de muitos assuntos nos incomodava e constrangia o tempo todo. Alegando perseguição, ele e a esposa tapavam todas as janelas com lençóis. Eles não queriam que, ou algum vizinho nosso descobrisse que eles eram seus “vizinhos”, ou então queriam esconder o que ele, Severo, ia fazendo na internet. Realmente não sei, mas juntando estas coisas com as nossas limitações financeiras, a falta de um prazo para sair da nossa casa e a nossa necessidade de deixar a casa por seis semanas para participar de um projeto missionário, decidimos pedir que eles arrumassem outra moradia com bastante antecedência.

Durante esse período, Severo sofreu alguma perseguição?

Aqui no Rio, nenhuma. Atribuímos isso ao fato deles estarem em outro estado sem ninguém da sua cidade saber exatamente onde estavam.

Como se deu a saída dele da moradia do senhor?

A psicóloga evangélica Rozângela Justino, que foi censurada pelos Conselhos Regional e Federal de Psicologia por ajudar homossexuais a sair do estilo de vida homossexual, conhecia o Julio pelo fato de os dois terem participado de algum congresso anterior. Sabendo disso, e sabendo que ela concordava com muitas colocações de Severo, pedimos a ajuda dela para achar outro lugar para essa família, pois a situação estava ficando insuportável, já que eles não procuravam outro local para se estabelecer e nós não queríamos deixá-los em nossa casa durante nossa viagem missionária. Rozângela se encontrou uma vez com eles na minha casa. Depois, eu sei que ela se encontrou com eles mais uma vez, levando consigo uma médica amiga, que tentou esclarecer que as vacinas não ofereciam perigo para a saúde das crianças.

Ela conseguiu um novo lar para eles?

Sim, ela conseguiu para eles uma casa num sítio no bairro de Marambaia, em Itaboraí. O sitio era de propriedade do falecido pastor Geremias Fontes, ex-governador do Estado do Rio, mas à época ainda vivo e liderando a Igreja Batista do Calvário, aqui no bairro do Fonseca, em Niterói. Nesse sítio, inclusive, funciona um espaço para a recuperação de dependentes químicos, a Comunidade S8. Na véspera da saída de nossa casa, Severo estava todo sorridente, pois, segundo dizia, Olavo de Carvalho estava conseguindo tudo o que ele queria. Diante disso, fiz questão de entrar em contato com o Consulado dos EUA aqui no Rio, alertando-os para que ficassem atentos na hora de conceder vistos a ele e à família. Não sei que medidas os funcionários de lá tomaram.

E o senhor manteve contato com Severo depois disso?

Perdemos contato com eles depois. Soube apenas que Severo caiu nas graças do Pastor Geremias e da família dele, e ficou hospedado no tal sítio em São Gonçalo por algum tempo, mas eles, alegadamente, conseguiram fugir do Brasil para outro país. Contudo, conhecendo a cabeça do Julio depois de tudo isso, acredito que ele, muito provavelmente, mentiu sobre essa saída para enganar e despistar os ativistas gays, que queriam (e ainda querem) confrontá-lo por suas declarações, e que talvez ele continue escondido aqui no Brasil, mesmo.

Que conclusões o senhor tira desse episódio?

O mais irônico é que eu concordo, basicamente, com as posições do Julio, principalmente quanto à tentativa de imposição de uma “agenda” homossexual ao restante da sociedade, e acho que é nosso dever, enquanto cristãos, barrar essa pretensão. No entanto, Deus quer alcançar os homossexuais, quer que eles sejam libertos do pecado e resgatados para a salvação. Diria a mesma coisa em relação aos comunistas. Devido aos preconceitos do Severo, eu cheguei à conclusão de que as postagens de autoria própria são suspeitas por omitir alguns fatos para “vender seu peixe”. Aqueles que ele traduz de algumas fontes conservadoras e/ou evangélicas norte-americanas, porém, seriam dignas de confiança, pois eu nunca tive razão para duvidar dessas fontes, estando familiarizado com elas há muito tempo. Severo, porém, não tem mais credibilidade como “jornalista”, a meu ver. Além de não ter formação nessa área, seus preconceitos geram bastante dúvida da minha parte a respeito da sua “objetividade”. E, devido à vontade dele de utilizar a mentira para, em alguns casos, conseguir o que ele acha necessário (exemplo: fuga para os EUA), eu questiono sua conversão. Normalmente o cristão de verdade, quando escolhe pecar, recua e se arrepende quando confrontado com seu pecado. No entanto, eu percebi uma resistência contra a minha repreensão, sem falar de uma determinação de continuar com o “Plano A”: mentir! Foi uma experiência desagradável ter Julio Severo em casa, mas eu não jogo a culpa na família inteira. Para mim, a esposa e os dois filhos eram mais “vítimas” nesta história toda do que cúmplices. Meu conselho para os leitores do blog de Julio Severo é não engolir tudo que ele escreve. Fora de uma intervenção divina, é possível que ele vá ser um daqueles falsos crentes que ouvirão da boca de Jesus: “nunca vos conheci”.


Genizah Comenta


Finalmente, o espesso véu de silêncio que pairava sobre o pretenso “professor de Deus” vai se dissipando. Genizah tem sido alvo das fatwas do aiatolá Severo desde cometeu a suprema ousadia de censurá-lo por suas, repetimos, ridículas declarações sobre o terremoto no Haiti em 2010, nas quais, a pretexto de censurar o povo sofrido daquele país pelas práticas perniciosas do vodu, despejou todo o seu arsenal de ódio pagão, indo do racismo à teologia da maldição hereditária. Não surpreende, pois a mesma mente adoecida já havia mostrado seu lado antissemita ao criticar os desvios de Marx e de Freud pelo simples fato de eles serem judeus. Desde então, basta que nós soltemos um flato por aqui para que ele exercite sua verve demoníaca, dando o toque de rebate às hostes dos esgotos gospel para o ataque. Como se isso nos incomodasse! Principalmente após a sessão de pancadaria promovida no artigo "Robinson Cavalcanti, o pecado veio cobrar a sua conta", onde Severo irrompeu em desaforos contra vários (então) apoiadores seus, que haviam saído em desagravo ao pastor Renato Vargens, por ele achincalhado. Desde então, rareiam, e muito, os blogueiros conservadores dotados de estômago de avestruz para associar seus nomes aos do autointitulado “Profeta da Internet”.

A coerência bíblica do entrevistado avulta ainda mais quando se percebe que o mesmo comunga da linha de pensamento de Severo, com uma exceção, que faz toda a diferença: abomina o pragmatismo diabólico de seu ex-hóspede, lembrando que a vivência cristã deve ser integral, e que os fins não justificam meios pecaminosos. Afinal de contas, Satanás não deixou de ser o pai da mentira!

Esquizofrênico paranoide a serviço da direita e do obscurantismo religioso


O severo perfil que emerge da entrevista é o de uma personalidade patológica, verdadeiro quadro de esquizofrenia paranoide, que chega ao cúmulo de negligenciar a saúde dos próprios filhos em nome de uma ideologia obtusa, incidindo em algumas figuras tipificadas pelo Código Penal. Dizemos ideologia, e não teologia, porque fica demonstrado, também, que nenhuma das motivações que o impulsiona nessa luta contra tudo e todos, até mesmo contra aqueles que, algum dia, estenderam-lhe a mão, tem a ver com as Escrituras Sagradas, mas sim com a defesa do ideário de uma facção política minoritária, violenta, autoritária, elitista e antidemocrática, que defende todo tipo de perversão social e se esconde debaixo da capa da defesa da vida e da família. E caminham assim, enganando e sendo enganados, a pensar que ninguém vai perceber a antinomia entre sua teoria e prática. Sim, pois como é possível compreender que tais pessoas se lancem à defesa de causas nobres, ao mesmo tempo em que colaboram contra essas mesmas causas, fechando os olhos para a miséria e a desigualdade, que desestruturam famílias inteiras, atentando contra a dignidade humana, e que ainda grassam em nosso país e no mundo?

“Mas defender igualdade e distribuição de renda é comunismo”, dirão eles, repetindo o velho chavão mofado da Guerra Fria. Por esse critério, um homem piedoso como William Booth, fundador do Exército da Salvação, seria um baderneiro marxista, pronto a comandar uma revolução sangrenta e instaurar uma ditadura do proletariado. Fala sério! A única plataforma política “subversiva” de Booth era fazer da sopa e do sabão, que distribuía, nas periferias de Londres, aos excluídos da festança da Revolução Industrial, a ponta de lança para alcançar aqueles corações para Cristo. O exemplo de Booth é apenas um entre tantos de líderes cristãos que não se restringiram aos púlpitos, mas que puseram a mão na massa para salgar e iluminar o mundo jacente no Maligno. Isso é seguir Marx ou Jesus?

Ameaça ao Estado Democrático de Direito

Na verdade, os argumentos matreiros usados por Severo e sua trupe mambembe coincidem com aqueles utilizados atualmente por lideranças evangélicas com assento no Congresso Nacional, consistente na tomada de assalto do aparato estatal para a imposição dos valores do Reino (do Reino?) à população não-evangélica como um todo. Exatamente o que eles acusam os “comunistas” de querer fazer. Esse garrancho da herética Teologia do Domínio, que também pode ser comparado à postura muçulmana de estímulo à conversão forçada, de preferência inspirada pelas ameaças de morte em caso de não-conversão, representa um risco concreto ao Estado Democrático de Direito, na medida em que tende a uma dominação policialesca e violenta da coletividade por meio da religião. E é também um perigo real para a Igreja, por dois motivos: a) a sociedade rejeita essa forma de condução dos assuntos sagrados, como mostram os recentes protestos Brasil afora, e pode desencadear uma perseguição sem precedentes contra todas as denominações; b) agregando-se às estruturas de poder, a Igreja perderá sua isenção profética em face do Estado, e não terá mais envergadura moral para censurar o Poder Público por seus desvios, tendendo a se confundir com ele. Não foi isso o que aconteceu com a Igreja Católica? Para escaparmos de fim parecido, urge jogarmos na lata do lixo esse pensamento dominionista e exercermos o papel que nos incumbe, à luz da Palavra, a saber, o de consciência crítica da Nação, apontando erros e propondo soluções, ao invés de impô-las.

A verdadeira ideologia política do Genizah – a Democracia

Diante de tudo isso, é importante frisar que, ao contrário do que propalam nossos ofensores, Genizah não tem ideologia predefinida. Prova disso é a convivência de pessoas de vários matizes ideológicos e teológicos em nossas fileiras. Na verdade, nos propomos a ser um espaço democrático e plural, verdadeira caixa de ressonância das mais díspares e diversas opiniões que existem no meio cristão, à esquerda, à direita e ao centro, exaltando as melhores práticas da Igreja Primitiva, que incluíam decisões tomadas através do voto livre e desembaraçado de seus membros e líderes, e que normalmente eram adotadas por consenso, em virtude da presença soberana do Espírito Santo naqueles corações.

A propósito, Deus se encarregou de mostrar, através da História da qual Ele é Senhor, que o melhor regime político para a pregação do seu Evangelho é o Estado Democrático de Direito e laico, o qual, apesar dos seus defeitos, guarda um punhado de virtudes que devemos levar em consideração: 1ª) ao não adotar uma religião oficial, evita que sejamos vistos como perseguidores, ao mesmo tempo em que facilita nossa proteção contra perseguições; 2ª) permite uma participação política plena, oferecendo prevenção contra o “voto de cajado” imposto pelas lideranças clientelistas; 3ª) possibilita uma ação política verdadeiramente cristã, calcada no testemunho e no exemplo, que, ao invés de por a sociedade debaixo do chicote do exator, mostra a essa mesma sociedade o Caminho a ser seguido, através de propostas que refletem a essência do pensamento de Jesus e da Nova Aliança que Ele instituiu. Afinal, a Antiga Aliança foi abolida, e a teocracia também o foi, junto com ela.

Estas são as nossas posições. A nossa causa política está acima de qualquer ideologia em particular: é a causa da democracia e da liberdade em Cristo Jesus, contra a implantação de um Irã evangélico e a favor de uma consciência cidadã para o povo de Deus, contra o pecado individual ou institucionalizado, mas a favor da demonstração diária da Sã Doutrina através de um testemunho inteiramente fiel. E o serviço ao próximo!

A falsa fuga de Julio Severo do Brasil

Após o fechamento desta entrevista, recebemos a informação de que um pastor ligado ao movimento apostólico travou contato com Julio Severo durante um evento, novamente na cidade de Niterói, no ano de 2010. Ou seja, um ano depois de sua pretensa “fuga do Brasil”. O mesmo ministro relatou à Redação que teve uma áspera discussão com Severo, e que este, à época, estava abrigado na casa de outro ativista “pró-família” daquele município fluminense. 

Inicialmente, Severo tentou se refugiar nos Estados Unidos alegando sofrer perseguição por não vacinar suas crianças, depois por ser perseguido pelo estado por defender home schooling e, contrariando a lei brasileira, não matricular os seus filhos na escola. Mais recentemente, informou que teve de se exilar diante das ameaças sofridas por ativistas gays.  Quando termina a doença mental e começa o golpe?

Durante os últimos sete anos, este senhor mentiu para a igreja, a fim de amealhar doações para a sua causa obscura, refastelando-se com os recursos  de pessoas bem-intencionadas. Sempre a pretexto de suposta defesa de uma causa urgente originada em uma mente esquizofrênica paranoica insuflando uma falsa perseguição e um exílio “falso”.

A investigação seguirá

Genizah é bombardeado semanalmente por Julio Severo desde 2010. Jamais respondemos, refutamos ou até mesmo acusamos qualquer destes ataques aqui neste site. Não era nosso desejo emprestar visibilidade a este senhor. A nossa paciência se esgotou.

Isto significa que, cumprindo com nosso dever de informar, e levando em consideração a máxima de Louis Brandeis (1856-1941), Juiz da Suprema Corte Americana, para quem “o sol é o melhor desinfetante que existe”, teremos mais matérias sobre Severo e seus métodos, a fim de que nossos leitores possam formar um juízo mais abalizado sobre a vida desse pretenso “profeta virtual”.

A meta é arrancar a máscara de Severo. Revelar o seu nome verdadeiro e o covil onde este lobo se refugia.  E, principalmente, denunciar as organizações de ultra-direita que financiam a sua guerra de ódio em nome da religião.

Severo esteve escondido de suas alucinações nas cercanias de Niterói por mais de seis anos, enquanto dizia a seus doadores e leitores estar exilado no exterior. Estaria agora Severo, de fato, fora do país, depois de anos mentindo sobre a sua falsa fuga? Como e com quem vive, de fato, o INRI cristo da internet? 

E agora, já mais crescidos, continuariam os filhos de Severo condenados pelo obscurantismo dos pais a viver uma vida escondida, sem direito a ir a escola ou ter acesso a informação? Impedidos de conviver com outras crianças, brincar, fazer amizades ou ter brinquedos? E, pior, impedidos de contar com as possibilidades da medicina moderna? 

Aguardem.