quarta-feira, 22 de maio de 2013

Fé e Batismo



Rev. Ronald Hanko



Desejamos lidar agora com o importante argumento Batista de que a fé deve necessariamente preceder o batismo. Assim, os Batistas falam do batismo como “batismo de crentes”.

A primeira coisa que deve ser dita é que a posição Batista é uma impossibilidade. Como temos apontado,2 os Batistas podem, na melhor das hipóteses, batizar somente aqueles que fazem profissão (confissão) de fé. Porque ninguém pode conhecer o coração, não há forma de assegurar que todas as pessoas batizadas são de fato crentes.

A resposta Batista comum, como explicamos anteriormente, é que eles batizam bem menos incrédulos do que aqueles que praticam o batismo infantil ou de famílias. Isso, sem dúvida, não poder ser provado, mas o fato é que se uma igreja Batista batiza ao menos um hipócrita ou incrédulo, ela não está mais praticando o “batismo de crentes”.

Mas esse não é o ponto principal. As palavras de Jesus em Marcos 16:16 declaram: “Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado”. Esse versículo precisa ser explicado, especialmente como suas palavras são o mandamento e a garantia para a igreja do Novo Testamento ser batizadora.

Primeiro, o versículo não diz (embora todo Batista leia dessa forma): “Quer crer e então for batizado será salvo”. Apenas diz que fé e batismo são necessários para a salvação.

Segundo, simplesmente porque fé e arrependimento são listados nessa ordem não significa que elas devam necessariamente acontecer nessa ordem. Em 2 Pedro 1:103 a vocação é listada antes da eleição, mas a vocação não acontece antes da eleição, como todo calvinista sabe.

A ordem em Marcos 16:16 é simplesmente a ordem de importância. A fé é lista antes do batismo porque é muito mais importante. Vemos isso na última parte do versículo, onde o batismo sequer é mencionado novamente, embora a fé seja.

Se a ordem em Mateus 16:16 é a ordem temporal, ou a ordem na qual as coisas devem acontecer, então a ordem é fé, batismo, salvação: “Quem crer e for batizado será salvo”. Ninguém deseja tal ordem!

Em adição a isso, existem passagens no Novo Testamento sugerindo que pelo menos em alguns casos, a fé não precede o batismo. Atos 19:45 nos fala sobre o batismo de João e como este dizia às pessoas quando as batizava que elas deveriam crer naquele que haveria de vir após ele. João não as batizou devido ao fato de já terem crido em Cristo!

Com respeito ao versículo 4, o Batista tem duas opções. Ele pode dizer que o batismo de João não era o verdadeiro batismo do Novo Testamento, embora mais da metade das referências a batismo no Novo Testamento sejam ao batismo de João (e então, nenhuma conclusão pode ser extraída delas para a prática neo-testamentária), ou pode admitir que a fé nem sempre precisa preceder o batismo.




Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto1
Fonte: Doctrine according to Godliness, Ronald Hanko, Reformed Free Publishing Association

O Simbolismo do Batismo


Ronald Hanko

Começamos nosso estudo do batismo com certo temor, conhecendo as diferenças que existem entre os cristãos sobre este assunto importante. Todavia, embora não tenhamos o desejo de ofender aqueles que são de uma persuasão Batista, cremos que o testemunho da Escritura é claro. Apenas pedimos que eles ouçam o que temos a dizer.

A primeira questão, então, é o simbolismo do batismo. Não cremos que a água do batismo tenha alguma eficácia ou poder, como o Romanismo, Anglicanismo e Luteranismo ensinam. Seu valor está no fato de que ela é um símbolo.

Todos concordariam, estamos certos, que a água do batismo simboliza o sangue de Cristo, e que a aplicação da água (por ora, deixamos de lado a questão de como ela é aplicada) representa o lavar dos pecados pelo sangue precioso de Cristo.

Em outras palavras, o batismo representa a aplicação da salvação na justificação (a remoção da culpa dos nossos pecados) e santificação (a remoção da sujeira e poluição dos nossos pecados). Portanto, ele representa o perdão dos nossos pecados quando recebemos tal perdão em nossa justificação e através da fé, como também a obra de Deus pela qual somos feitos santos na regeneração e santificação.

Enquanto o batismo representa a aplicação da salvação – o lavar dos nossos pecados na justificação e santificação – a água representa não somente o sangue de Cristo, mas também o Espírito de Cristo. Ele é aquele em quem e por quem somos lavados (batizados), tanto para remissão como para a purificação dos nossos pecados.

Esta é a razão pela qual a Escritura descreve o dom do Espírito como um batismo (Mt. 3:11; Atos 1:5; Atos 11:16; 1Co. 12:13). Ele é um batismo, por nenhuma outra razão senão a de que o Espírito tem uma função importante na purificação do pecado. Ele é aquele que aplica em nós o sangue de Cristo, tanto para nossa justificação como para a nossa santificação, e visto que ele faz isto dando-nos ele mesmo, podemos ser ditos como tendo sido batizados não somente no sangue, mas também em ou com o Espírito quando somos salvos.

Isto tem muitas conseqüências importantes. Primeiramente, ela é uma resposta ao erro do Pentecostalismo, que ensina que o batismo no Espírito é algo adicional ou subseqüente à salvação. O batismo no ou com o Espírito não é outra coisa senão a salvação. Isso é claro a partir da Escritura (Atos 2:38, 39; Rm. 5:1-5; Rm. 8:9; 1Co. 12:13 comparado com João 7:37-39; Gl. 3:2; Ef. 1:13, 14).
Tudo isto tem conseqüências também para o modo do batismo. Se a água do batismo representa tanto o sangue como o Espírito de Cristo, então deve ser observado que a Escritura descreve invariavelmente a aplicação de ambos em termos de derramar ou aspergir. Este é um ponto que explicaremos em “O Modo do Batismo”. O ponto aqui é que o batismo simboliza belamente o lavar e a remoção dos pecados pelo sangue e pelo Espírito de Jesus Cristo, e assim, nos mostra como entramos no pacto de Deus: pela graça somente e por Cristo somente.




Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto1
Fonte: Doctrine according to Godliness, Ronald Hanko, Reformed Free Publishing Association, p. 261-62.

terça-feira, 21 de maio de 2013

Você é um calvinista?” "Você decide. É nisso aqui que eu creio…”

John Piper

Nós somos cristãos. Seres radicais, de sangue puro, saturados de Bíblia, exaltadores de Cristo e centrados em Deus. Nós avançamos com missões, ganhamos almas, amamos a igreja, buscamos a santidade e saboreamos a soberania. Somos completamente embriagados pela graça, quebrantados de coração e felizes seguidores do Cristo onipotente crucificado. Pelo menos esse é o nosso compromisso imperfeito.

Em outras palavras, somos calvinistas, mas esse rótulo não é nem um pouco útil para dizer às pessoas no que você realmente acredita! Então esqueça o rótulo, se isso ajudar, e diga a elas claramente, sem evasivas e sem ambiguidade, o que você acredita a respeito da salvação.

Se eles disserem “Você é um calvinista?” diga “Você decide. É nisso aqui que eu creio…”

  1. Eu creio que sou tão espiritualmente corrupto e orgulhoso e rebelde que eu nunca teria vindo à fé em Jesus sem a misericordiosa e soberana vitória de Deus sobre os últimos vestígios da minha rebelião. (1 Coríntios 2:14; Efésios 3:1-4; Romanos 8:7)
  2. Eu creio que Deus me escolheu antes da fundação do mundo para ser seu filho, sem basear essa escolha em nada que pudesse haver em mim no presente ou no futuro. (Efésios 1:4-6; Atos 13:48; Romanos 8:29-30; Romanos 11:5-7)
  3. Creio que Cristo morreu como um substituto dos pecadores para, de boa fé, oferecer salvação a todas as pessoas. Creio que ele teve um plano invencível em sua morte para obter sua noiva escolhida, a saber, a assembléia de todos os crentes, cujos nomes foram eternamente escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto. (João 3:16; João 10:15; Efésios 5:25; Apocalipse 13:8)
Quando eu estava morto em minhas transgressões, e cego para a beleza de Cristo, Deus me tornou vivo, abriu os olhos do meu coração, me deu a capacidade de crer e me uniu a Jesus, com todos os benefícios do perdão e da justificação e da vida eterna (Efésios 2:4-5; 2 Coríntios 4:6; Filipenses 2:29; Efésios 2:8-9; Atos 16:14; Efésios 1:7; Filipenses 3:9)

Estou eternamente seguro não por causa de qualquer coisa que eu tenha feito no passado, mas decisivamente porque Deus é fiel para completar a obra que ele começou – sustentar minha fé e me manter longe da apostasia, e me afastar do pecado que leva à morte (1 Coríntios 1:8-9; 1 Tessalonicenses 5:23-24; Filipenses 1:6; 1 Pedro 1:5; Judas 25; João 10:28-29; 1 João 5:16)

Chame do jeito que você quiser, isso é minha vida. Eu acredito nisso porque eu vejo isso na Bíblia. E porque eu experimentei isso. Louvor eterno à grandeza da glória da graça de Deus!



Traduzido por Daniel TC